Lixeira é alternativa mais eficaz de contenção da sujeira nas cidades.
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A população brasileira convive com problemas aparentemente não solucionáveis há séculos. A sujeira nas cidades é um dos desafios mais complexos enfrentados pelas sucessivas administrações públicas, principalmente porque não depende apenas de políticas e infraestrutura urbana, mas sobretudo da participação da sociedade.
Hábitos cotidianos, como a simples utilização de lixeixas domésticas e públicas, podem contribuir significativamente para a redução da sujeira nas cidades brasileiras, sem para isso demandar estratégias complicadas ou grandes investimentos, mas apenas o senso de civilidade da população.
Jogar lixo nas vias públicas, pelo contrário, é uma prática que vem marcando a vida nas cidades do país. De bitucas de cigarro a embalagens e restos de comida, papel e outros rejeitos, as cidades vão se tornando um enorme depositório de lixo a céu aberto. Nem mesmo a força da lei estimula o brasileiro a utilizar a lixeira adequadamente. Em São Paulo entrou em vigor a lei municipal 10315/87, que prevê multa para quem joga lixo na rua, mas sem efetividade alguma. Em cidades de grande porte como esta, qualquer objeto jogado na rua produz um acúmulo final de toneladas de sujeira, cujo destino é quase sempre o bueiro.
O acúmulo de sujeira nos bueiros, geralmente causado pela má utilização das lixeiras, é o principal responsável pelas enchentes que, além de disseminar doenças, contribuem significativamente para a poluição dos lençóis freáticos. Na tese “Avaliação da Poluição Difusa gerada por Enxurradas em Meio Urbano”, de 2007, o pesquisador Jorge Henrique Prodanoff comprovou que, durante as enxurradas, a sujeira das cidades levada pela água da chuva tem maior potencial de poluição dos corpos hídricos do que até mesmo os resíduos de esgoto doméstico e industrial, pois passam mais facilmente pelo sistema de drenagem.
Mas o aumento do contágio de doenças por intermédio da contaminação do lixo, como a leptospirose, é que tem sensibilizado o cidadão, a despeito das campanhas educativas sobre a importância do uso de lixeiras ou sobre a poluição dos rios. A maior parte do comportamento da população é motivada pela resolução de problemas de curto prazo gerados pela disposição do lixo em locais não apropriados, como os terrenos baldios. Nesse sentido, atribuir a sujeira das ruas à desinformação ou mesmo à pobreza continua sendo um equívoco, já que há vários meios acessíveis de manter a cidade limpa.
Para as residências simples, as lixeiras plásticas com tampa vai-e-vem resolveriam o problema. Para empresas, bancos e comércio, há alternativas mais interessantes, como as lixeiras com armação e pedal, ou as de inox com aro. Pelo papel social que estas instituições têm, o ideal seria estimular a reciclagem do lixo por meio da disposição de lixeiras para coleta seletiva nos estabelecimentos, um investimento muito baixo com retorno de curto prazo para o negócio e de longo prazo para o país. Alternativas não faltam, o que falta é vontade de transformar comportamentos em favor de grandes causas.






